sexta-feira, 11 de abril de 2008

Fora e dentro DO CLAUSTRO

Do Claustro teve sua temporada no Espaço dos Satyros, ficaram até março deste ano em cartaz em São Paulo e foi neste período que vi a peça e escrevi uma resenha da qual foi entregue ao Site Bigorna para aprovação e posterior publicação de Humberto Yashima - responsável pelo site cultural. O fato é que de distante, passei a fazer parte quando recebi em 25 de março o convite do dramaturgo-produtor Ruy Jobim Neto para fazer assistência de produção nos dias 26, 27, 28, 29 e 30 de março para o Festival de Curitiba 2008 - Fringe, e eu topei. As apresentações para o Fringe aconteceram nos dias 27, 28 e 29. De produção à assistente de direção, agora estou com a Cia. Mestremundo de Histórias em temporada no Rio de Janeiro, Botafogo, na Sede da Cia. de Teatro Contemporâneo.
Segue abaixo nota do Jornalista Fábio Gomes, responsável pelo Site Brasileirinho:
Rio de Janeiro (RJ)
DO CLAUSTRO - Texto: Ruy Jobim Neto. Direção: Eduardo Sofiati. Com Débora Aoni e Carolina Mesquita. Em plena Salvador de 1692- época do grande poeta barroco Gregório de Matos, uma moça apaixonada por um poeta-advogado que está preso e ameaçado de seguir degredado para a África entra para o Convento de Santa Clara do Desterro e se torna Irmã Mariana, freira clarissa enclausurada. Ela confessa tudo o que se passou em sua vida pregressa a irmã Cecília, do mesmo claustro, e que passa a sentir avassaladora atração por irmã Mariana. Um drama de amores conventuais, Inquisição e sexualidade no Brasil Colônia. Uma investigação cênica sobre a condição da mulher brasileira nos primórdios de nossa História. Teatro 2 da Cia. de Teatro Contemporâneo (Rua Conde de Irajá, 253, Botafogo - Reservas: 21-2537-5204), até 27/4. Sábados, 21h; domingos, 20h. (60min)(16 anos) Leia resenha de Vanessa Morelli sobre a peça. Veja foto da peça.

segunda-feira, 10 de março de 2008

domingo, 2 de março de 2008

Contradição

Uma vontade de conhecer a si mesma nasceu espontaneamente e, assim que esse desejo se realizara, acreditou-se que era possível a inserção de si própria na sociedade. O mais lúdico eram seus pensamentos porque de tão próprios e cheios de vida, mal combinavam com os fluxos sociais. Era como se estivesse anexa a um mundo exterior, uma partezinha de lua, de marte ou outro planeta ainda mais distante, nunca uma estrela, jamais um sol - não tinha o poder de aquecer-se sozinha.

A missão a qual estava destinada nem bem conhecia. Se houvesse algum tipo de compromisso com uma causa, da mesma forma passava despercebido. Questionava o tempo todo conceitos, critérios, jeitos, olhares, atitudes, palavras, mas de tanto perceber os outros esquecia-se de si mesma e era necessário voltar para o embrião interno - em que terra nasceu? Quais foram seus nutrientes?

Sua inteligência era desbaratinada, confusa, desmedida, desintegrada, procurando sempre ser amassiada. Inteligência bruta, vulcânica, furiosa, intuitiva - quase que quase sempre.

Essa mesma mulher, com consciência exclusiva, sentia uma forte presença masculina no seu âmago - o seu forte era a falta. Em seus dias solitários ou repletos de figurantes, a mensagem que ouvia era repetidamente a mesma: um toque de telefone não atendido, uma linguagem arcaica e fora de uso ou um fio que nunca alcançava como se fosse possível pegar a isca, mas quanto mais próxima, maior a distância.

19 horas da noite. Saída do casulo. Ruas perigosas, monstros com nomes de gente, semáforos a cada 300 metros ou um pouco mais, uma música que não se ouve e o silêncio que não é silêncio. Chegada ao local. Todos já posicionados com suas máscaras esboçando sorrisos periódicos e falando geralmente sobre futilidades não denunciadoras. Sabe-se que a exposição é a medida do ataque e que sempre é melhor se passar de burro do que esperto demais - esse é apenas um parênteses comunicativo sem o sinal equivalente. Gostava de algumas pessoas, não de todas.

O mais é a continuidade do mesmo fluxo. Rompido o silêncio, ouve-se um som emitido por um aparelho normalmente utilizado para receber chamadas, esse mesmo que surpreende com notícias de todos os tipos e conteúdos. A voz do outro lado fazia essa mulher sorrir verdadeiramente, transmitia ondas de paz e embriaguez promovida pela química dos sons. Levantou-se - ativamente - despediu-se rapidamente.

Foi dirigida para a rua que essa voz havia mencionado. Descendo do carro, lembrou-se de pegar sua máscara e a colocou em sua bolsa, usada assim que ele abriu a porta com o mesmo sorriso ingênuo ao qual ela pronunciara ao toque de seu telefone.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Psicologismo do tempo

Quanto mistério existe em uma vida! - pensa Clarice, moça educada, de família tradicional, embora não tenha significado algum o termo tradicional neste ano de 2008. Está sentada em frente a um jardim com design psicodélico e não-convencional. A visão que se sobressai são das plantas belíssimas mergulhadas em água limpa, da família Nymphaeales - poderia falar mais se entendesse a biologia das plantas.

Renunciar ao sonho de uma profissão digna? Jamais! - resmunga, segurando um livro que está entre suas mãos - Quantas lutas a humanidade não travou pelas crenças de um mundo melhor? Foram necessárias mulheres de diversas nacionalidades lutar por um ideal, tentando assim espaço semelhante ao dos homens. E o que diria Martin Luther King se visse que seu sonho de liberdade e igualdade não passou de um discurso feito em 1963? Adiantaria a fé e contribuições de Timothy Leary na ciência do cérebro? Sim, porque ser o Guru do LSD nos anos 60 não deveria ser uma atividade muito fácil. Ter uma cabeça retirada de seu corpo e congelada deve ter sido um ato extremista para a posteridade, talvez seja isso. Apesar de sua visão sempre estar no futuro e fascinado com a tecnologia que nos torna hoje seres comandados, deixou suas marcas impressas em diversos livros. Sou suspeita, gosto do Martin e do Timothy.

As páginas desse livro esboçam uma arrogância sem igual! Quem quer saber de passado? - levanta-se e lentamente segue para o jardim, passo-a-passo, bem calmamente.

Queria saber o que se passa na mente de um escritor que decide compartilhar com a humanidade uma mente tão abstrata. Creio que a vaidade deve ter sustentado egos por aí na absoluta certeza de que foram importantes. Ora só, todos precisam se sentir úteis, não é mesmo? Admiro a força de Jorge Luis Borges que mesmo cego não esmoreceu. Um grande ser humano! E Ludwig van Beethoven que mesmo quase surdo continuou compondo tantos sons. Sou fã incondicional de quem consegue mesmo diante de tanto revés se superar.

Atordoa-me tantas coisas, infinitos infortúnios que temos de suportar com classe. Quem assume de peito estufado e orgulhoso ter um doido em sua família perfeita e sem desvios morais? Todos devem ter um louco na família, até Marilyn Monroe! Fico imaginando como deve ser traumático para somente alguns. O fato é que pra Marilyn o sucesso veio rápido e não deu pra ficar ruminando muito tempo em suas origens. Está certo: o tempo é relativo, dizia Einstein.

Clarice continua vagando pelo vasto jardim e seus pensamentos fluem perdidos sem ter onde e em quem soar. Distante da casa, percebe uma cor predominante naqueles seres humanos, todos estão vestidos de branco. O que pensa Clarice sobre o mundo importará a alguém? É só mais uma na Cidade dos Loucos.

Link: Um novo tempo