segunda-feira, 12 de maio de 2008

SENHORA DOS AFOGADOS

Em cartaz no Sesc Anchieta (Consolação), com direção de Antunes Filho.


Ontem (11/05), depois de comemorar o dia das mães, encontrei-me com o dramaturgo Ruy Jobim Neto, a produtora Ana Jardim e a dramaturga Adelia Carvalho, e tive a oportunidade de estar em ótima companhia e de ver uma (ou "A") peça que me encantou. Primeiro porque não é um texto fácil, pelo contrário, há diversas e muitas compreensões, intenções, metáforas, enfim... o texto é brilhante, excelente, visceral em palavras, sátiro, pulsante, gritante, agudo e grave, contextualizado. Texto esse que o Moisés Miastkwosky montou com o Grupo Art In Cena em final de 2006 e que eu fazia parte do elenco (tinha gente!!). Segundo, a direção é encantadora, fascina, aguça os olhos, os ouvidos, mexe com os sentidos. Terceiro, pra finalizar, os atores dão conta do recado. Tô falando de "Senhora dos Afogados", texto esse de Nelson Rodrigues (é arriscado/desafiador), e que teve sua estréia na década de quarenta, e que depois de muito tempo resolveu ser montado por Moisés Miastkwosky, outros diretores e Antunes Filho.
Quem ainda não teve a oportunidade de ler esse texto, leia! Assistir a essa peça mítica de Nelson Rodrigues - na minha opinião, é sua melhor peça - é um prazer, transcende a dramaturgia terrena.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Fora e dentro DO CLAUSTRO

Do Claustro teve sua temporada no Espaço dos Satyros, ficaram até março deste ano em cartaz em São Paulo e foi neste período que vi a peça e escrevi uma resenha da qual foi entregue ao Site Bigorna para aprovação e posterior publicação de Humberto Yashima - responsável pelo site cultural. O fato é que de distante, passei a fazer parte quando recebi em 25 de março o convite do dramaturgo-produtor Ruy Jobim Neto para fazer assistência de produção nos dias 26, 27, 28, 29 e 30 de março para o Festival de Curitiba 2008 - Fringe, e eu topei. As apresentações para o Fringe aconteceram nos dias 27, 28 e 29. De produção à assistente de direção, agora estou com a Cia. Mestremundo de Histórias em temporada no Rio de Janeiro, Botafogo, na Sede da Cia. de Teatro Contemporâneo.
Segue abaixo nota do Jornalista Fábio Gomes, responsável pelo Site Brasileirinho:
Rio de Janeiro (RJ)
DO CLAUSTRO - Texto: Ruy Jobim Neto. Direção: Eduardo Sofiati. Com Débora Aoni e Carolina Mesquita. Em plena Salvador de 1692- época do grande poeta barroco Gregório de Matos, uma moça apaixonada por um poeta-advogado que está preso e ameaçado de seguir degredado para a África entra para o Convento de Santa Clara do Desterro e se torna Irmã Mariana, freira clarissa enclausurada. Ela confessa tudo o que se passou em sua vida pregressa a irmã Cecília, do mesmo claustro, e que passa a sentir avassaladora atração por irmã Mariana. Um drama de amores conventuais, Inquisição e sexualidade no Brasil Colônia. Uma investigação cênica sobre a condição da mulher brasileira nos primórdios de nossa História. Teatro 2 da Cia. de Teatro Contemporâneo (Rua Conde de Irajá, 253, Botafogo - Reservas: 21-2537-5204), até 27/4. Sábados, 21h; domingos, 20h. (60min)(16 anos) Leia resenha de Vanessa Morelli sobre a peça. Veja foto da peça.

segunda-feira, 10 de março de 2008

domingo, 2 de março de 2008

Contradição

Uma vontade de conhecer a si mesma nasceu espontaneamente e, assim que esse desejo se realizara, acreditou-se que era possível a inserção de si própria na sociedade. O mais lúdico eram seus pensamentos porque de tão próprios e cheios de vida, mal combinavam com os fluxos sociais. Era como se estivesse anexa a um mundo exterior, uma partezinha de lua, de marte ou outro planeta ainda mais distante, nunca uma estrela, jamais um sol - não tinha o poder de aquecer-se sozinha.

A missão a qual estava destinada nem bem conhecia. Se houvesse algum tipo de compromisso com uma causa, da mesma forma passava despercebido. Questionava o tempo todo conceitos, critérios, jeitos, olhares, atitudes, palavras, mas de tanto perceber os outros esquecia-se de si mesma e era necessário voltar para o embrião interno - em que terra nasceu? Quais foram seus nutrientes?

Sua inteligência era desbaratinada, confusa, desmedida, desintegrada, procurando sempre ser amassiada. Inteligência bruta, vulcânica, furiosa, intuitiva - quase que quase sempre.

Essa mesma mulher, com consciência exclusiva, sentia uma forte presença masculina no seu âmago - o seu forte era a falta. Em seus dias solitários ou repletos de figurantes, a mensagem que ouvia era repetidamente a mesma: um toque de telefone não atendido, uma linguagem arcaica e fora de uso ou um fio que nunca alcançava como se fosse possível pegar a isca, mas quanto mais próxima, maior a distância.

19 horas da noite. Saída do casulo. Ruas perigosas, monstros com nomes de gente, semáforos a cada 300 metros ou um pouco mais, uma música que não se ouve e o silêncio que não é silêncio. Chegada ao local. Todos já posicionados com suas máscaras esboçando sorrisos periódicos e falando geralmente sobre futilidades não denunciadoras. Sabe-se que a exposição é a medida do ataque e que sempre é melhor se passar de burro do que esperto demais - esse é apenas um parênteses comunicativo sem o sinal equivalente. Gostava de algumas pessoas, não de todas.

O mais é a continuidade do mesmo fluxo. Rompido o silêncio, ouve-se um som emitido por um aparelho normalmente utilizado para receber chamadas, esse mesmo que surpreende com notícias de todos os tipos e conteúdos. A voz do outro lado fazia essa mulher sorrir verdadeiramente, transmitia ondas de paz e embriaguez promovida pela química dos sons. Levantou-se - ativamente - despediu-se rapidamente.

Foi dirigida para a rua que essa voz havia mencionado. Descendo do carro, lembrou-se de pegar sua máscara e a colocou em sua bolsa, usada assim que ele abriu a porta com o mesmo sorriso ingênuo ao qual ela pronunciara ao toque de seu telefone.