sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Um começo, uma postagem...

Como todos devem saber (ou, muito provavelmente, nem todos), possuo um blog no Spaces do Msn chamado SerendipityArtes, do qual muito raramente publico textos meus para leitura virtual. Ok. Estava eu muito satisfeita com o meu Blog quase nunca acessado, até que um belo dia (hoje mais especificamente) a minha querida amiga Lunna Guedes me pergunta porque não abri um Blog no Blogger. Sem resposta, cá estou. Por que não?
Não faço ainda a menor idéia das águas divisoras de um e de outro, não importa.
Espero que consiga me expor cada vez mais via internet porque sou "podadora" de pensamentos meus. Merda, sucesso e sorte a todos neste ano de 2008 que está pra dar início.



SOLO-ANDANÇA
Autoria: Vanessa Morelli

Feliz aquele que anda pelos caminhos da vida na ignorância. Feliz daquele que cultiva um sonho eterno da busca, sem feridas, sem mágoas, mas com comprometimento. Feliz do outro que segue seu caminho sem se questionar com o que vem pela frente. Feliz, feliz, feliz o outro, eu e aquele que não segue o fluxo, mas busca uma reflexão.
A maior parte do tempo percebo que nada consegue explicação clara, embora tudo – TUDO - exija uma explicação. Não minha, não sua, mas uma razão.
E foi assim, hoje ainda é esse fluxo continuo de busca. Para onde vou? Caminhar pelas retas da estrada, andar nas curvas ou subir-descer, enfim... o que fazer?
Dia comum, como todos os outros, dia simples e extenso como todos os dias e a minha visão era essa:
Deparo-me com uma escada. Há uma espécie de poeira branca que não consigo identificar. Parada, fico olhando por alguns instantes, absorvida pela falta de contexto. Essa poeira forma um desenho nos cantos da escada, na altura da parede. Não é poeira de tinta, não há sinal de que fora lixada. Desisto. Subo degrau por degrau. O caminho não é longo. Chego numa parte plana, pequena, e virando à esquerda tem mais uma escada. Ponho-me a subir. Primeiro, segundo, terceiro degrau e assim por diante. Em frente, uma porta fechada. Não ouso abrir. Não abro. Novamente à minha esquerda uma nova escada um tanto tumultuada de sacolas fechadas. Acostumo-me e subo novamente. Uma porta entreaberta à esquerda, seguindo reto há um corredor. Um tipo de grade bloqueia o caminho. Consigo abrir e continuo andando. Chego num quarto bagunçado. Roupas espalhadas por todos os lados, uma televisão ligada falando sozinha, não existe telespectador. Um espelho na porta do armário chama minha atenção. Coloco-me à sua frente. Surpreendo-me. O que vejo não é minha imagem, mas uma cama vazia, abandonada, pedindo pra não ser vista.



CONTRA A MARÉ

Suspensa no ar
Ardendo no fogo
Plantada na terra
Respirando na água
Turva nos quatro elementos.

Ser humano tão complicado
Ser andrógino tão neutro
Ser inconstante tão voraz
Ser e ao mesmo tempo não ser
Nada ser por fim.

Tac tac pum! Poom!
Caiu! E o que restou?

Vermelho verão
Mão, corre a mão
no corremão
Não, senão verde
Verde as cores
do verão
Sinal verde,
na contramão.

By Morelli ®


Nostalgia

Olhava a lua e achava mágico
Traçava uma reta e mesmo assim havia emoção
Contemplava as estrelas e me espiritualizava
Beijava o amado e acreditava em casamento
Fazia amizades e tinha fé na sinceridade
Comia e não engordava
Escrevia e me purificava
Rezava e possuía o dom da devoção
Pintava e me achava uma artista
Sonhava e pensava em ser atriz
Cantava e me encantava
Jogava e me jogava
Admirava e me admirava
Respirava amor e dava a vida
Doava e me perdia...

By Morelli ®


A Tormenta

Atormenta acordar e saber dormir
Atormenta saber sentir e sentir saber
Saber que se sente atormenta
A tormenta atormenta
Atormenta viver e viver reviver
O que atormenta, a tormenta
Ator, menta, menta, ator, atormenta
Atormenta fingir e viver fingir
Fingir que atormenta a tormenta.

By Morelli ®



VIAGEM NATURAL
* faz parte de um trecho
da minha primeira peça*

O brilho das estrelas não ofusca o brilho da lua,
redonda, imperiosa, majestosa,
ela é só ela, única!
Porém existe o sol,
mas é preciso desaparecer um para dar espaço ao outro.
Um precisa ceder.
É necessário desaparecer,
mesmo que por um dia
e mesmo assim existe lua,
existe sol.
Um sabe do outro,
mas não se conhecem
e nunca pediram para se conhecer.
E existe ar, existe oxigênio.
E existe água,
mas é necessário hidrogênio,
dois hidrogênios para estar ao lado do oxigênio.
E três se unem, não são dois, nem quatro.
São três.
Três é sempre bom, nunca é demais,
dois talvez sejam dois por serem demais
e um é pouco, sempre é pouco,
mas ao lado de dois hidrogênios é sempre bom.
E existe a água, os três necessários.
E há relação, a três,
mas há uma e somente uma relação.
E a terra é seca, úmida e nunca deixa de ser terra.
Pode ser lama.
Algumas lamas fazem bem a pele.
Contato de peles,
e se esquentam
e se arrepiam
e pedem abrigo
e sentem carinho
porque há calor e aquece,
aquece e pega fogo,
que queima, arde e alimenta,
mas é necessário respirar e existe oxigênio,
oxigênio que se une a dois hidrogênios,
mas é necessário oxigênio,
é necessário respirar,
Ó DOIS!

By Morelli ®


Mulher

Mulher felina
Agressiva e dengosa
Tece seus caminhos
Infinitos e cheios de brilho
Firme e astuciosa
Vaga soberana
Desertos e concretos
Crê em sininhos
Típicos sons soníferos
Despertam senhoras.

Não tem medo
Acredita em beleza
Serena e esbelta
Veste sua coroa vermelha
Canta ao luar
Inspira-se em si mesma
Reflete magia
Rica por ser teor
Límpida como orvalho
Sensibiliza a natureza.


Estúpidas criaturas


Afagavam-se
Beijavam-se
Sentiam o calor dos corpos
Trêmulos e inquietos
Acostumavam-se
Não se viam
Quando se sentiam
Satisfaziam-se mesmo
Vazios Vagavam
E para sempre a esmo


Encontravam-se casualmente
Era conveniente
Marcavam encontros escondidos
e rápidos
Não tinham obrigações
Estavam perdidos, sem noções
Para sempre insatisfeitos
Julgavam-se ligeiros
Mal sabiam o que procuravam
Porque nada mais era do que eles mesmos


Quanto ego!
Quanta ignorância!
Achavam-se espertos
Arrastavam-se em córrego,
Procurando fragrância
Encontravam-se dispersos
Rente a calçada, pertos!
na ânsia da loucura,
Remavam e exaustos
Contra a cura.


O mel virou fel
O dia anoiteceu
E entre passos
Caminhavam réus
Não houve um anel
O amor amorteceu
Desnorteou compassos
Caídos dos céus
Jogados sem tônus
Pousaram nus.


Não houve esperança
O casal soluçou
Dissolveu temperança
Resmungou, abraçou
o nada hesitante
Destronados dos sentidos,
soluços sentiram
Incompreensível mistério rasante
Enjaulou gemidos
Tão suaves, explodiram!


***


Era para ser uma história de amor
Daquelas que vibram até estátuas
mas como todo ego apaixonado gera tumor
Não houve nada mais do que mãos tuas.

Visões distorcidas correram infinitas
Buscando abrigo num espírito consolador
Embaraçadas, traçaram palavras ditas
De uma grande dor transformada em ardor.


By Morelli ®

4 comentários:

Lunna Montez'zinny disse...

Cara mia, que seus passos sejam como uma tarde de chuva que nos leva de encontro a lembranças ausentes, aquelas que tanto gostamos de ter, porque nos permite o aconchego em nós mesmos.
Sou uma admiradora nem sempre silenciosa de seus escritos e poder encontrá-los junto aos meus (vez ou outra) me causa enorme satisfação.
Então vamos "meter" o pé na porta e adentrar com os dois pés em 2008 (nada de direito ou esquerdo). Para se ter equilíbrio é preciso estar com os dois pés no chão e os olhos nas nuvens.
Beijosssssssssssssss

MaxReinert disse...

Olá Vanessa!

Bem vinda ao blogger então!

Eu, não sei porque , nunc afui com a cara do MySpace... mas, sei lá, cisma minha!

Muito bom início... muita coisa boa pra ler!

Eu tbm estou no blogger, vamos trocar umas figuras...

Bjjjzzzz

Domenico disse...

Hola MOrelli!
Legal poder ler seus textos-reflexões-delírios. NUm dia menos corrido leio seus escritos!
BJs

Marcelo Novaes disse...

oi, Vanessa.
Estou te convidando para visitar meu blog recém-iniciado:
http://olugarqueimporta.blogspot.com/

Um abraço,
Marcelo Novaes.